Você poderia atar uma série de nós quadrados ao redor de uma colherinha sem que essa se mova? E usar umas pinças pequenas para retirar uma uva de dentro de um rolo de papel higiênico sem perfurar a uva ou tocar nos lados do rolo?

Os aspirantes a cirurgiões devem possuir essas destrezas para realizar tais tarefas. Mas os responsáveis pelos docentes das faculdades de medicina nos Estados Unidos e na Inglaterra observaram uma marcada diminuição na destreza manual de estudantes e residentes. Algumas hipóteses apontam para a diminuição de oficinas práticas nas escolas – como oficina de desenhos, música, artesanato ou psicomotricidade. Outras hipóteses apontam para o excesso de tempo ao celular onde o manuseio exige apenas que deslizem a tela.

 “Pensem na diferença entre alguém que aprendeu a esquiar quando era criança e alguém que aprendeu a esquiar já adulto, disse Robert Spetzler, ex diretor executivo do Instituto Neurológico Barrow em Phoenix, Arizona. “Essa elegância que se aprende praticando quando criança, nunca será igualada por alguém que aprende a esquiar depois de adulto”

Maria Siemionow, cirurgiã de transplantes do Colégio de Medicina da Universidade de Illinois, em Chicago, acredita que os estudantes podem ser treinados para ser grandes cirurgiões, contudo, já precisam chegar com as habilidades básicas. Maria não é a única que se pergunta se já não é hora de reconsiderar os critérios de escolha dos estudantes de medicina, nos programas cirúrgicos. “Nos fixamos nas suas notas, nos resultados das provas, na sua produtividade, como preencher informes ou investigar, mas definitivamente, um bom cirurgião não tem nada a ver com isso” comentou Michael Lawton, sucessor de Spetzler no Instituto Neurológico Barrow. “O que realmente importa é a forma como manuseiam os instrumentos e que classe de toque possuem com os tecidos, além da maneira que reagem e se adaptam quando estão sob forte estresse”.

Fonte: ©️ 2019 The New York Times